Terça-feira, 27 de Abril de 2004

Penso Rápido II - A aula meteórica

Há uma compulsão contemporânea pela velocidade. É inegável. Automóveis mais rápidos, viagens mais rápidas, ligações à Internet mais rápidas, comida mais rápida, notícias mais rápidas, textos para jornais escolares mais rápidos (penso-rápido), sexo mais rápido (as rapidinhas, é claro, despudoradamente). Poderia conceber-se uma filmografia sobre esta mania contemporânea, uma bibliografia, uma discografia. Pode até esboçar-se uma difusa ciência como fez Paul Virilio, filósofo e “especialista em velocidade” – a dromologia (de dromo, elemento de origem grega de composição de palavras que exprime a ideia de andamento, corrida). Para alguém como eu, que preserva a lentidão com se fosse uma espécie em vias de extinção e o mundo fosse acabar amanhã, tudo isto são manias, melhor... dromomanias (atenção aos dromomaníacos motorizados!). Como se esta vertigem não bastasse, eis que aparecem os blocos de 45 minutos. Ansiedades pânicas, conteúdos programáticos arremessados a 180 linhas por hora, cursos de estenografia instantâneos, enfim... um desvario inenarrável. Já ouvi dizer que há professores que começam a ditar o sumário e a fazer a chamada no início do corredor, mas eu nunca vi nenhum.

publicado por cfrego às 19:44
link do post | comentar | favorito
|

Penso Rápido I - TIC-TAC-TIC-TAC

Hoje deixo-vos com dois textos da autoria de um colega da Escola (Paulo Rui), publicados na Edição N.º 1 do Palavras à Solta (Jornal da Escola Secundária da Mealhada). O autor intitulou os textos de "Penso Rápido".


TIC, TAC, TIC, TAC, TIC, TAC… Pum! Explodiu, súbita, a retórica das T.I.Cs. Não sabem o que é!? Estão fartos de acrónimos ininteligíveis, tão grandes que até têm perspectiva!? Acham que nas escolas e no ministério da educação se fala um dialecto tribal!? Em verdade vos digo que não há visão salvífica da educação em Portugal que não as contemple, não há demagogo/pedagogo que não faça a sua apologia, não há discurso redentor de ministro que não fale delas, não há lei de bases em que não seja o mote, não há projecto educativo que não glose o mote. Em França, o acrónimo é mais extenso – N.T.I.C (novas tecnologias da informação e da comunicação. Hélas! Cheira-me a copianço!), e suscitou as reacções habituais: a crendice beata, também habitual, de quem julga ter encontrado o antídoto para a ignorância generalizada dos alunos e para decénios de orientações educativas erradas; o cepticismo prudente, mais pontual (como é sabido, o bom senso, depois do dinheiro, é a coisa mais injustamente distribuída), de quem compreende o poder encantatório das T.I.Cs mas, previdentemente, desconfia da omnipotência das suas virtudes pedagógicas. Jean-Marc Lévy-Leblond, físico e epistemólogo francês, homem avisado, muito distante do intelectual pronto-a-pensar, considera que o desafio das T.I.C’s nas escolas não é tanto o da formação técnica (como fazer?), mas sim o domínio dos seus usos sociais (para quê fazer?). Assim, por exemplo, explorar a Internet na aula seria uma excelente oportunidade para a desmistificar, mostrando que nela não se encontram as maravilhas anunciadas e as soluções dos problemas de acesso ao trabalho e à cultura. Pois é! Muitas vezes o crédulo é um céptico mal informado. O discurso pedagogicamente correcto (em pedagogês, naturalmente) sobre as T.I.Cs seguirá dentro de momentos. A burocratização (“procedimentos administrativos” no dialecto tribal escolar, mas jogar aos eufemismos delico-doces não vale) crescente do quotidiano das escolas desvirtuou a natureza e função do director de turma. Ao modelo “tutorial” da direcção de turma sucede agora, inescapável, o modelo “manga-de-alpaca”. O director de turma deixou de ter tempo para partilhar os percursos escolares individuais dos alunos e transformou-se no zeloso apontador de ausências e no diligente expedidor de cartas e postais para os encarregados de educação, dia após dia, semana após semana (a recente legislação sobre faltas transformou o director de turma numa espécie de relator de processos Kafkianos, o Big Brother da assiduidade). As tarefas do director de turma assumiram dimensões risíveis (vá lá, sejam sinceros, digam a verdade!). A imposição, tacitamente assumida pelas escolas, que impõe aos D.T’s a obrigatoriedade de realização de tarefas puramente administrativas (a realização de matrículas, por exemplo, é um acto puramente administrativo, sem implicações pedagógicas, embora o aconselhamento e orientação pedagógica não o sejam) certifica esta convicção e não permite antever optimismo (embora, convenhamos, seja vagamente divertida a visão dos D.T’s, com banca improvisada, cola e tesoura em riste, a enfrentarem pais e alunos enfastiados. Plastificam-se cartões).


MANGA-DE-ALPACA – “Funcionário administrativo que usa processos antiquados. Expressão derivada das mangas postiças, dos punhos um pouco acima dos cotovelos que outrora usavam os escriturários para poupar o fato.” (Dicionário de Expressões populares Portuguesas; Guilherme Augusto Simões.)


publicado por cfrego às 19:43
link do post | comentar | favorito
|
Segunda-feira, 26 de Abril de 2004

25 de Abril

Esta música, faz-me voltar aos meus tempos de criança...


Letra e música de Ermelinda Duarte.


Somos livres




  • Ontem apenas

  • Fomos a voz sufocada

  • dum povo a dizer não quero;

  • fomos os bobos-do-rei

  • mastigando desespero.

  • Ontem apenas

  • fomos o povo a chorar

  • na sarjeta dos que, à força,

  • ultrajaram e venderam

  • esta terra, hoje nossa.



  • Uma gaivota voava, voava,</em>

  • asas de vento,

  • coração de mar.

  • Como ela, somos livres,

  • somos livres de voar.

  • Uma papoila crescia, crescia,

  • grito vermelho

  • num campo cualquer.

  • Como ela somos livres,

  • somos livres de crescer.

  • Uma criança dizia, dizia

  • "quando for grande

  • não vou combater".

  • Como ela, somos livres,

  • somos livres de dizer.



  • Somos um povo que cerra fileiras,

  • parte à conquista

  • do pão e da paz.

  • Somos livres, somos livres,

  • não voltaremos atrás.

publicado por cfrego às 19:12
link do post | comentar | favorito
|
Quarta-feira, 21 de Abril de 2004

Quantos são?!?! Quantos são?!?!

Após prolongada ausência... por falta de inspiração, estou de volta.
O País almoçou hoje com a notícia da detenção do Major Valentim Loreiro e mais 15 outros suspeitos. Segundo as crónicas, para serem interrogados sobre alegado tráfego de influências, entre outras suspeitas.
Há muitos anos que se ouvem rumores de subornos e afins no mundo do futebol. Até hoje pouco ou nada se conseguiu provar. Lembro-me do caso do árbitro Francisco Silva, e de um outro árbitro (José Silvano?) que "fugiu" para África a dizer que um dia iria contar tudo. Até hoje não mais contou.
Em tempos li um livro (Golpe de Estádio) da autoria do jornalista Marinho Neves. Nesse livro ele relatava o modo como se processava o... "tráfego de influências". Depois de ler o livro, e a ser verdade tudo o que ele dizia... muitas cabeças (enormes cabeças diga-se) rolariam...
O caso que hoje despoletou, na minha opinião, peca... por defeito. É que se retirarmos o Major Valemtim Loureiro e O Sr Pinto de Sousa, os restantes são ilustres desconhecidos da maioria dos portugueses. Quer-me parecer que este caso só é noticia porque estes dois nomes estão envolvidos. Se assim não fosse provavelmente não teria sido divulgada com tanto alarido. A ver vamos. Já se prometem novidades nos próximos dias, mas no caso Casa Pia também se prometeu um terramoto... e é o que temos assistido!
Vou esperar para ver...

publicado por cfrego às 00:42
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Novembro 2007

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
13
14
15
16
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28
29
30


.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.posts recentes

. Novidades para breve...

. The Music of Anfield Road...

. Para não deixar morrer is...

. ...

. Aeroporto da OTA

. Este país o nosso...

. Ai Portugal... Portugal.....

. Reforma(s)

. Falta apenas um ponto...

. ...

.arquivos

. Novembro 2007

. Março 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Agosto 2005

. Maio 2005

. Fevereiro 2005

. Janeiro 2005

. Dezembro 2004

. Setembro 2004

. Julho 2004

. Junho 2004

. Maio 2004

. Abril 2004

. Março 2004

SAPO Blogs

.subscrever feeds